"Se queres ser universal, cante sua aldeia", já dizia Leon Tolstoi. Miami-Cuba é um documentário performativo com personagens expressivas da cidade da Parahyba (João Pessoa-PB). Conhecidos e/ou anônimos que divagam sobre as suas experiências urbanas, modos de se viver, conviver, existir e resistir, reverberando problemáticas locais que ganham uma dimensão universal – como a questão do despejo da comunidade ribeirinha centenária do Porto do Capim. Tem como dispositivo o edifício "18 Andar", primeiro "arranha-céu desta capital": marco inicial da sua modernização e um tipo de sentinela da região central, tombada como patrimônio histórico pouco após a sua construção. O filme imerge e deriva por este seu Centro Histórico, com breves deslocamentos por lugares simbólicos da orla. Em especial, o recém verticalizado bairro do Altiplano, para onde parece caminhar o seu atual projeto de desenvolvimento urbano. Um tipo de ensaio reflexivo não apenas sobre a marcante dicotomia arquitetônica entre o centro-orla de João Pessoa e o quanto isso fala sobre o seu processo de modernização. E sim também sobre as nuances políticas, econômicas, sociais e culturais por trás disso. Uma cartografia afetiva, espacial e histórica da arte-vida citadina, que ganhou ainda mais potência e camadas neste contexto de pós-pandemia, onde todos precisaram e ainda precisam se reinventar frente a evidente decadência do capitalismo.
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"Se queres ser universal, cante sua aldeia", já dizia Leon Tolstoi. Miami-Cuba é um documentário performativo com personagens expressivas da cidade da Parahyba (João Pessoa-PB). Conhecidos e/ou anônimos que divagam sobre as suas experiências urbanas, modos de se viver, conviver, existir e resistir, reverberando problemáticas locais que ganham uma dimensão universal – como a questão do despejo da comunidade ribeirinha centenária do Porto do Capim. Tem como dispositivo o edifício "18 Andar", primeiro "arranha-céu desta capital": marco inicial da sua modernização e um tipo de sentinela da região central, tombada como patrimônio histórico pouco após a sua construção. O filme imerge e deriva por este seu Centro Histórico, com breves deslocamentos por lugares simbólicos da orla. Em especial, o recém verticalizado bairro do Altiplano, para onde parece caminhar o seu atual projeto de desenvolvimento urbano. Um tipo de ensaio reflexivo não apenas sobre a marcante dicotomia arquitetônica entre o centro-orla de João Pessoa e o quanto isso fala sobre o seu processo de modernização. E sim também sobre as nuances políticas, econômicas, sociais e culturais por trás disso. Uma cartografia afetiva, espacial e histórica da arte-vida citadina, que ganhou ainda mais potência e camadas neste contexto de pós-pandemia, onde todos precisaram e ainda precisam se reinventar frente a evidente decadência do capitalismo.